Santa Sara Kali é conhecida como a santa dos ciganos. Esse título é encontrado em inúmeras obras e pesquisas. E muitas das histórias dessa santa estão ligadas também ao cristianismo. Para alguns é conhecida como “Negra Sara” ou “Sara la Kâli”, mas difere em vários aspectos da Santa Sara da religião católica.

Pesquisas revelam que Santa Sara Kali é realmente cultuada por uma parte razoável de ciganos, sejam eles católicos ou não católicos. É, da mesma forma, cultuada por um imenso número de pessoas das mais variadas culturas e religiões; esotéricos, espiritualistas e outros, sem ter origem cigana, cultuam Sara Kali.

Existem duas lendas a respeito dessa santa. Numa delas Sara é egípcia, empregada de Maria Salomé e Maria Jacobé, mães de S. Jaime e S. João e parentes de Maria Madalena, e sempre as acompanhava em suas viagens. Certo dia, após uma tempestade, Sara guiouas até uma praia distante, orientando-se pelas estrelas.

Na outra lenda, Sara era uma nobre de uma tribo e, estando na beira da praia, avistou um barco naufragando no mar muito agitado. Ela lançou sua capa sobre as ondas, como uma corda, e as santas se ampararam na corda, sendo salvas por Sara.

Os ciganos aceitam a seguinte lenda, segundo a autora Miriam Stanescon: Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, Jose de Arimatéia, Trofino e Lázaro, juntos com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar pelos judeus, numa barca sem remos e sem provisões. As três Marias puseram-se a orar e a chorar.

Sara, naquele momento, tirou seu lenço (diklô) da cabeça chamou por Jesus Cristo (Kristesko) e prometeu que, se todos se salvassem, ela seria escrava Dele e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Sara cumpriu sua promessa até o fim de seus dias.

Milagrosamente a barca atravessou o oceano, com todos salvos, e aportou numa praia próxima a Saintes Maries de La Mer. Dias após, o barco foi resgatado por pescadores que moravam numa vila próxima à costa marítima. Todos que eram brancos foram acolhidos com exceção de Sara, por ser escrava egípcia e negra. Um grupo de ciganos que estavam próximos acolheu e cuidou dela. Após sua morte, os ciganos começaram a recorrer a ela com pedidos, pois foi uma pessoa muito querida enquanto viveu com eles. Os pedidos foram atendidos e milagres se realizaram. A partir desse momento, Sara tornou-se Mãe e Rainha dos Ciganos.

As histórias contam que, quando Sara faleceu, os ciganos pediram para realizar seu funeral na igreja da vila, mas devido ao preconceito não lhes foi permitido. Foi feito, então, uma espécie de gruta para Sara e que é visitada até os dias de hoje. A cripta começou a ficar pequena para tantos ciganos que passaram a visitar.

 

Gratidão.